Enxaqueca é uma doença neurológica crônica caracterizada por crises de dor de cabeça moderada a intensa, geralmente pulsante, de um lado só da cabeça, e que pode vir com náuseas, vômitos, sensibilidade à luz e ao som. Não é uma simples dor de cabeça: o impacto na vida da pessoa pode ser grande a ponto de impedir atividades normais do dia a dia e levar a ausências no trabalho.
O que é enxaqueca
A enxaqueca é uma condição neurológica relativamente comum, mas que afeta a vida de forma intensa. Segundo a Sociedade Brasileira de Cefaleia, cerca de 140 milhões de pessoas no Brasil lidam com enxaqueca, o que mostra o tamanho do problema. Ela se manifesta como episódios pontuais e muito intensos de dor de cabeça, diferentes da dor de cabeça comum, e costuma ser incapacitante, com impacto dramático na qualidade de vida.
A doença ocorre mais frequentemente em mulheres entre 25 e 45 anos de idade e tem tendência familiar, o que quer dizer que, muitas vezes, há história de enxaqueca na família. O cérebro das pessoas com enxaqueca é anormalmente hipersensível, e as artérias sofrem constrição e dilatação como consequência da liberação exagerada de substâncias que estimulam os centros cerebrais da dor.
Não se conhecem as causas exatas da enxaqueca, mas sabe-se que fatores como alterações do sono, exercícios físicos, consumo de álcool, ansiedade e alterações hormonais podem desencadear as crises. O diagnóstico é clínico, baseado no conjunto de sintomas típicos em uma pessoa dentro da idade normal de aparecimento da doença.
Sintomas principais
As pessoas com enxaqueca geralmente queixam-se de dor de cabeça unilateral pulsátil, náuseas, vômitos e intolerância ao ruído, à luz e ao movimento. Essas crises podem ser acompanhadas ou sucedidas por outras manifestações clínicas, como alterações da visão, tonturas com perda do equilíbrio, zumbido nos ouvidos e formigueiros.
Na enxaqueca crônica, a dor de cabeça intensa não passa há mais de 15 dias e se repete por mais de 3 meses, com crises que duram de 3 a 72 horas, podendo ou não vir com aura. Além da dor, os sintomas incluem sono de má qualidade, insônia, dores no corpo, irritabilidade, ansiedade, depressão, alterações do apetite e do humor e náuseas ou vômitos.
Em alguns casos, pode surgir fotossensibilidade (sensibilidade à luz) e hiperacusia (sensibilidade aos sons), e a prática de exercícios ou movimentos simples, como agachar e subir escadas, podem piorar a dor de cabeça durante a crise. O impacto pode ser tão grande que a pessoa precisa optar por tratamentos preventivos para reduzir o risco de ocorrência de crises.
Causas e fatores desencadeantes
Embora não se conheçam as causas exatas, existem fatores que podem levar ao surgimento ou piora da enxaqueca. Automedicação relacionada com o uso excessivo de analgésicos, problemas reumatológicos ou ortopédicos, alterações psiquiátricas como depressão ou ansiedade e consumo exagerado de cafeína e derivados são algumas das causas mencionadas. A enxaqueca crônica também pode estar associada à apneia obstrutiva do sono e obesidade, sendo mais frequente em mulheres do que em homens.
Os gatilhos mais comuns incluem alterações nas rotinas de sono, exercício físico, consumo de álcool, ansiedade e alterações hormonais, fatores reconhecidos como precipitantes das crises.
Tratamento
O tratamento para enxaqueca deve ser individualizado e indicado por um neurologista. A escolha dos medicamentos para tratar as crises e também dos medicamentos para prevenir as crises depende das características clínicas da enxaqueca e de particularidades da pessoa, como sexo, idade, peso e presença de doenças como hipertensão.
Algumas medidas aplicam-se a quase todas as pessoas, como prática regular de exercício físico moderado, higiene do sono e controle do peso. O tratamento pode incluir medicamentos anti-inflamatórios, analgésicos, triptanos (como sumatriptano e zolmitriptano) e até anticonvulsivantes que promovem relaxamento na região da cabeça, como topiramato e ácido valproico.
Um remédio para enxaqueca crônica que também pode ser usado e tem mostrado eficácia é a toxina botulínica tipo A, principalmente em caso de enxaqueca crônica refratária. Além disso, para melhorar os benefícios do tratamento, reduzir os sintomas e evitar crises é importante fazer atividade física regular, comer alimentos saudáveis, manter peso ideal, controlar o estresse, fazer relaxamento, fisioterapia, acupuntura e psicoterapia.
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